quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ao Companheiro José


José,
Gostaria de estar ao seu lado nesse momento, mas os compromissos diários me mentem fisicamente  distante.

Fico tranquila apenas por saber que você não está só nessa luta, sei que assim como eu muita gente acredita  no seu trabalho, na sua coragem e sobretudo no seu caráter e responsabilidade de conduzir com clareza, credibilidade e transparência a tarefa a qual foi submetido. Você é um homem público, tem serviço prestado junto ao seu povo e nunca  teve o nome atrelado a corrupção, improbidade administrativa , enriquecimento ilícito ou algo do gênero.

Você soube plantar cultura onde só germinava pobreza, miséria  e desesperança. Soube governar com e para o povo que o elegeu. Em meio a tanta diversidade teve o seu trabalho e da sua equipe reconhecido   nacionalmente nas páginas da revista Veja e na tela da TV globo. Isso é fato! Palavras ao léu  não apagam da memória e nem da história  os fatos dos que viveram esse momento.

Por fim, quero dizer do orgulho  de tê-lo ao meu lado, estamos sentindo muito a sua falta, mas temos a clareza da importância do trabalho que você está fazendo junto ao seu povo.

Quanto ao " poder", meu caro, só conheço  dois, o poder de Deus que independe da vontade de nós , pobres mortais, e  no campo democrático, o poder que emana do povo e portanto , não tem dono.

Gosto muito do Chico Buarque  e  aproveito para dedicar-te trecho da música "Apesar de você" .

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar

Com admiração,
Sírlia

domingo, 1 de maio de 2011

Mosaico

 Separados, não passam de insignificantes pedaços. podem ser cortantes, podem ter contornos irregulares, podem até brilhar,mas serão sempre insignificantes. Quando juntos, cada um com sua cor marcante, com sua  particularidade, com seu brilho crescente se transformam em algo maior, mais significativo, retratando a imensidão de quem o criou. Assim somos nós, cercados de sentimentos irregulares, cortantes ,brilhantes. Formamos um enorme mosaico de sentimentos. Muitas vezes, espalhamos nossos pedaços por tudo que canto, buscando encontrar outros pedaços em que exista harmonia na cor, nos contornos e nos brilhos. Por vezes encontramos pedaços diversos, mas com brilhos diferentes e contornos que não se encaixam. Em outros momento, julgamos ter as peças  bem definidas, bem delineadas , em perfeita harmonia, até que uma delas saia paulatinamente do lugar  e cause o desequilíbrio necessário para uma nova , dolorosa e demorada  junção. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Um abraço em Moacyr Scliar




No ano de 1992, quando eu ainda acreditava que a função do crítico literário fosse a de produzir avaliações, veredictos e sentenças, caiu-me nas mãos Sonhos tropicais, o décimo segundo romance de Moacyr Scliar. Há muito deixei de ver no crítico uma espécie de juiz de peruca, que interroga, absolve, ou condena uma obra. Naquela época, contudo, por insegurança, por teimosia, por medo de errar, ainda insistia em dizer se um livro era bom ou ruim.


Não gostei de Sonhos tropicais e, em uma resenha que escrevi para uma revista semanal, disse isso com todas as letras. Baseado na trajetória do sanitarista Oswald Cruz ― figura central na vida de Scliar, ele próprio um médico sanitarista ―, Sonhos tropicais me pareceu um livro temeroso em que seu autor, refém das rigorosas exigências da pesquisa, não conseguiu se dar a liberdade que deveria e merecia se dar.


Hoje não sei se teria a mesma opinião. De fato, não aprecio as biografias romanceadas, gênero que me parece, em geral, preguiçoso e frouxo. Ocorre que Scliar não apresentava seu livro como uma biografia romanceada, mas como um romance ― e foi isso, talvez, o que me incomodou. Talvez, pensei, ele não tivesse se decidido muito bem a respeito do livro que queria escrever. Talvez... mas o que importa! Nunca mais voltei a ler Sonhos tropicais, mas planejo fazer isso em breve, para matar um pouco as saudades do amigo que perdi.

Publicada minha desagradável resenha, pensei: Scliar me odiará para sempre. Não o procurei mais, nem ele me procurou, o que parecia provar a tese da ruptura. Quase um ano depois, porém, caminhava eu pela Rua da Praia, em Porto Alegre, quando o avistei de longe. Vinha em minha direção. Pensei em mudar de caminho, mas o correto era seguir em frente e enfrentá-lo, e foi o que fiz.

"Precisamos nos falar por dois minutos", ele me disse, sem disfarçar a ansiedade. Pensei: "Pronto: chegou a hora de ouvir o que mereço ouvir". Não me deixou pensar, foi rápido: "Por que não tomamos um café?". Aceitei; eu não tinha escolha. Na esquina, nos perfilamos diante do balcão de uma confeitaria. Durante um ou dois minutos, nem eu, nem Scliar conseguíamos dizer qualquer coisa. Até que ele, num desafogo, me disse: "Você sabe no que estou pensando". Não podia negar que sabia: "É claro, no livro do Oswaldo Cruz".

Admitiu, então, que, ao ler minha resenha, ficara furioso. Mais ainda, ficara decepcionado, pois nela sentira a ponta secreta de uma traição. Durante alguns dias, recordou ainda, ensaiou respostas incisivas que me daria em um telefonema. Aos poucos, contudo, a dor abrandou e, me disse Scliar já com um esboço de sorriso, ele conseguiu enfim pensar.

Não adoçou as palavras: "Quero lhe dizer que você tem toda razão no que escreveu". Abriu, então, um sorriso vasto e longo, de alívio, mas também de gratidão. Enfim, continuou: "Depois que a raiva passou e que controlei a vaidade, consegui enfim aceitar o que você me dizia". Nos dias seguintes, refletiu sobre seu caminho literário, lutou para se observar desde fora. Quanto a mim, estava imobilizado. Cedesse à vaidade, e passaria a acreditar, enfim, que era um "grande crítico". Quanta tolice! Minha resenha era não só pequena, mas despretensiosa. Limitei-me a esboçar uma impressão muito breve. Forte era Scliar que, machucado por minhas palavras, soube, ainda assim, lhes emprestar uma grandeza que não tinham.

Vitória do leitor: são os leitores, no fim das contas, que fazem os grandes livros. Era só nisso, na verdade, que eu conseguia pensar. Se ainda tinha dúvidas a respeito do destino de nossa conversa, elas se dissiparam quando Scliar me disse: "Deixe eu lhe dar um abraço. De agradecimento. Agradecer pela sua coragem, e lhe dizer que você me obrigou a ser corajoso também". É com dificuldades que recordo as palavras que trocamos. Não só porque muitos anos se passaram, mas também porque estávamos, ambos, engolfados pela emoção. Em silêncio, nos abraçamos ― e aquele abraço foi mais eloqüente que qualquer palavra. Guardava uma força crítica que, em minhas resenhas literárias, jamais consegui. Não era uma crítica para me destruir, era uma crítica para me acolher. Era para dizer: "Podemos divergir e, apesar disso, caminhar juntos".

Não que, quando escrevi minha resenha de Sonhos tropicais, eu tenha desejado destruir a reputação de Scliar ― tarefa, aliás, em que eu teria sido derrotado. Ao contrário: julguei que, ao escrever, apenas me submetia às exigências da verdade ― e Scliar foi grande o bastante para entender isso. Existem, porém, muitas maneiras de dizer uma mesma coisa. Só um coração corajoso como o de Scliar suportaria meus restos de imaturidade (aos 40 anos!) e meus atropelos.

"Você tira um elefante de minhas costas", consegui, enfim, dizer. "Eu sempre me perguntei se tinha sido cruel. Se errara não só no que pensava, mas na maneira de dizer o que pensava". Nesse momento, o médico Scliar se impôs ao escritor Scliar. Ele me interrompeu: "A verdade é sempre dolorosa, mas precisa ser dita". Desde então, uma amizade muito funda, sincera, um forte laço de confiança, nos ligou. Nunca fomos amigos íntimos, mas nos tornamos amigos intensos.

Encontrei-o, pela última vez, em dezembro passado, na Bienal do Livro de Campos, onde chegamos escoltados por Suzana Vargas. Logo percebi o cansaço imenso que carregava. "Soube que ainda temos um jantar pela frente", ele me disse. "Não sei se conseguirei ficar até muito tarde". Fui rápido, talvez até ríspido: "Você não vai a jantar algum, meu amigo. Vai direto para o hotel, pedirá um lanche no quarto e irá para a cama". Abraçou-me em outro imenso silêncio. Os abraços silenciosos são os mais belos: eles simplesmente nos acolhem, sem nada exigir em troca, e sem nos impor significado algum.

Não resisti e lhe dei um beijo no rosto. Senti que levou um susto, porque se empertigou um pouco, como se fosse fazer uma continência. Depois percebi que tinha a face vermelha e dela arrancou, com força, um sorriso. A que correspondi sorrindo também. Achei que nos reveríamos logo, em alguma outra bienal, ou feira literária. Mas não: era um sorriso de adeus.

Obrigado, Scliar, por me levar a entender a insignificância de minhas pequenas opiniões. Obrigado, também, por me ensinar que a grandeza é a falência da vaidade. Nossa amizade nasceu de um desencontro. Como somos misteriosos! Vá se entender os homens! Até hoje sinto o calor de seu abraço e é só isso o que interessa.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no blog A literatura na poltrona, de José Castello, e igualmente reproduzido no jornal literário Rascunho. (Leia também a Entrevista de José Castello e "A Literatura na poltrona".) 




Curitiba, 28/3/2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Escolha

Em algum momento da vida somos surpreendidos por sentimentos confusos. Não sabemos ao certo a sua origem e nem a sua motivação. Ao menos, conseguimos identificá-lo, não fosse pela inquietação que nos causa. É uma angustia daqui, uma ansiedade dali, ressentimentos que chegam e que vão. A  nossa vida é uma grande Usina de sentimentos,com uma capacidade enorme de produção. O difícil mesmo e filtra-los, passa-los  pelo controle de qualidade e ainda assim, continuar humano.
A inteligência emocional é algo que conseguimos a longo prazo, vem com as vivências, com os conflitos vividos, com o rompimento do cordão umbilical. É necessário se olhar de fora, ver-se como sujeito de um grupo, de um lugar, de um mundo diversificado. Como saber quando ser você? como saber como e quando ser o outro? quando se mostrar? quando se esconder? Nem sempre encontramos as respostas. 
Quão monótona seria a vida se soubéssemos todas as perguntas e todas as respostas. As buscas nos tornam vivos, nos lançam desafios, nos fazem viver. As conquistas nos trazem gratificações, nos tranquilizam e nos  fazem acomodar. Um coisa é certa,  a todo tempo é preciso fazer escolhas e algumas ficam para sempre.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Com licença !

 Foto:bodenacidadegrande.wordpress.com
"Não tenha medo, não sou assaltante. Sou de um cidade do interior, vim para capital receber tratamento contra o vírus HIV , perdi todo dinheiro que tinha e agora estou desesperado sem saber como voltar para casa,por isso peço sua ajuda "
Não tive medo da abordagem. O que me assustou foi o olhar perdido, sem rumo e sem esperança daquela pobre criatura. Nada sabia sobre ela, mas sabia que o que falava era a mais pura verdade. Estava explícito em seu olhar, em sua postura, em se medo. Na verdade, tive receio em não poder ajuda-la,, revirei por todos os bolsos da bolsa para finalmente encontrar uma pequena ajuda. Sei que diante do quadro que presenciei, aquela ajuda simbólica servia apenas para o imediato. Não daria rumo e  nem esperanças.  Segui o meu caminho com o coração aliviado por ter ajudado, de qualquer forma, porem, mais do que alívio sentia o incômodo por saber que milhares de pessoas vivem sem renda, sem moradia, sem saúde, sem dignidade, sem cidadania, sem nada.  Essa imagem ficou arquivada , mas o sentimento de indignação continua no peito , o qual procuro traduzi-lo na poesia  de Emmanuel Bezerra .

Quem sou eu


Quem sou eu? Quem sou eu? Meu eu repete
Em louco alvoroço em louca lida
Quem sou eu? Quem sou eu? A mim compete
Responder a pergunta repetida

Mas como responder nessa vida
Eu não sei onde vou onde me levam
Essa treva obscura que convida
A penetrar mais e mais dentro da treva!

Como cego enfim vou caminhando
Nesse caminho áspero e escuro;
Tanto mais as tontas vou andando
Quanto mais caminhando vê procuro

Como louco vagando sem governo
Sigo... sigo, sempre e sempre
No mar da vida ao léu, mas de repente
Em fúria sobre mim cai o inverno

Cai o inverno em fúria e tempestade
Meu Deus, meu Deus onde irei? E nada
Que ouço na triste madrugada
Responda-me meu Deus Deus por caridade

Quem será que fala e que exclama
Em alta voz! E que consolo pede
Adeus e Deus não lhe concede?
é a minha voz perdida que reclama

Que chora  murmura, grita e clama
Desgarradas das vozes cá do mundo
E aquela que do pélogo profundo
Inda vibra, inda pede, inda se inflama

Como nada me responde
Nada a dizer então fico calado
Deixo ao mistério o mistério atado
E não respondo ao que minha alma brada

Não me culpo oh! Eu insatisfeito
De não responder-te em nada influi
Uma resposta em tom tão imperfeito
Olhei meu eu, eu sou quem sempre fui.



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Nos meus sapatos de educador

                                                                                                                                  Publicado no diário de Natal , em 03/12/2010.
Frederico Horie Silva
 Estudei até a antiga oitava série em escola pública. Lá fui feliz. Fiz amigos, me apaixonei pela primeira vez e tive minha primeira desilusão amorosa. Porém, neste mesmo local, enfrentei períodos de greve, falta de professores, feriados imprensados e baixo aprendizado dos conteúdos específicos. No Ensino Médio fui transferido para a rede privada para, nas palavras da minha mãe, aprender alguma coisa, para ser alguém na vida. Essa foi a minha primeira despedida da escola pública. Hoje venho contar-lhes a segunda. 
Depois de um Ensino Médio difícil, com dificuldade para acompanhar os outros alunos, consegui passar no vestibular de uma excelente universidade. Lá me apaixonei pela Educação. Estudei e trabalhei praticamente todos os anos com esta temática. Saí de lá formado, esperançoso e com um sonho modesto: ser professor de escola pública.
 Há pouco mais de um ano, realizei este sonho. Entrei no sistema público de ensino de um dos municípios da grande Natal, com a certeza de que poderia fazer a diferença, de que iria desenvolver um bom trabalho, com uma metodologia inovadora que respeitasse os diferentes ritmos de aprendizagem. Tinha uma meta ousada: transformar a escola em um ambiente propício para o desenvolvimento intelectual e cultural dos alunos. Nada me deixaria mais realizado.
Porém, eu estava enganado. Estamos no final do ano e não fui o professor que quis ser, não consegui colocar em prática as imaginadas inovações e tampouco respeitei os ritmos de aprendizagem dos meus alunos. Nada me deixou mais decepcionado. Para que o leitor compreenda porque me despeço da escola pública, peço que calce os meus sapatos de educador e caminhe comigo pela escola.
Estamos no início de dezembro, e não há uma só sala de aula em que pelo menos um aluno não tenha evadido - abandonado a escola - possivelmente para sempre (!). Quem é professor sabe como dói perder um aluno, pois sabe como o mundo é cruel e competitivo para quem estuda e ainda mais para quem não o faz. Em um cenário como este, o que eu, a escola e os gestores públicos fizemos a respeito? Nada. Se é verdade que o aluno abandonou a escola, também é verdade que a escola o abandonou.
Contudo, a evasão não é só discente, mas docente.  De uma equipe que deveria ser de oito professores, apenas quatro estão presentes, dois faltaram sem justificativa e os outros dois nunca foram enviados pela Secretaria de Educação do município. Algumas turmas passaram o ano todo sem ter uma aula sequer de Matemática.          
O trabalho educativo é coletivo e solidário. O que acontece em uma sala de aula é refletido em todas as outras. Uma escola só tem condições de funcionar bem se houver a integração de um conjunto de fatores, que vão das condições de trabalho do professor à gestão escolar competente e, definitivamente, dependem de um governo que respeite o direito do povo a uma educação pública de qualidade.
Ainda em nossa caminhada, convido-os para a sala dos professores. Lá somos surpreendidos pelo aviso de que não haverá aula. Esta situação é rotineira, por variadas razões, mas nenhuma que justifique o descaso e a negação ao conhecimento que se processa em ações e inações, mentiras e omissões realizadas dia a dia em uma escola que perdeu sua função de existir. Comecei o ano acreditando que seria um bom professor, mas a verdade é que vou terminá-lo sem conseguir ao menos cumprir o calendário escolar. 
Por não me sentir útil à escola pública, me retiro. Vou dar mais ênfase aos estudos, à pesquisa. Preciso entender como funcionam as engrenagens que tornam a escola pública um ambiente inóspito e prejudicial para alunos e professores. Perdi a inocência, mas não a certeza de que a mudança é necessária e possível. Hoje descalço os meus sapatos de educador, com a certeza de que voltarei quando tiver as condições para fazer a diferença. Despeço-me com saudade daquilo que nunca tive, mas continuarei lutando para que um dia alguém possa ter. Uma escola pública de qualidade.

Frederico Horie Silva, Educador e Biólogo, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que publica artigos neste espaço às sextas-feiras.



sábado, 6 de novembro de 2010

Calem a boca, nordestinos!

Por José Barbosa Junior 




A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.
Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.
Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.
Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.
E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!
Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?
Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial  Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.
Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…
Ah! Nordestinos…
Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!
Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!
Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!
Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Redoma



Como poderia viver sem  arranhões, sem sentir o frio que dá na barriga quando bate o medo, sem sentir a areia fugindo por entre os dedos? A redoma quebrou paulatinamente e cada caco de vidro parecia uma potente furadeira que barulhenta e feroz, dilacerava as entranhas. Quisera que o cardiologista pudesse cura-la, pudesse minimizar tamanha dor.Seria possível reconhece-la? seria possível senti-la mais intensamente? seria possível não senti-la? Não senti-la seria renegar a própria vida. 

Ah! a vida, tão bela e graciosa, vida, tão cheia de vida  que nem cabia no peito, nem pensava que um dia o mundo iria desabar inteiro na sua cabeça. Quão ingênua fora ao acreditar que a redoma a protegeria das conseqüências do amor. Perguntava-se  insistentemente sobre as rachaduras que geraram a quebra, como resposta veio apenas o silêncio do indizível.    



sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Assine o Manifesto por um Rio Grande do Norte de Leitores!

Caros (as) amigos (as) do RN, do Brasil e de outros países, clique sobre a imagem abaixo:
 Seja mais um(a) a participar dessa mobilização em defesa de um Rio Grande do Norte de Leitores .Conheça o Manifesto, assine , disponibilize o banner em seu site, blog ou portal. Recolha adesões de quem não tem acesso à internet e seja voluntário passando esses dados para o computador.
Jornalistas, vocês também poderão continuar ajudando com notas e matérias em seus veículos e colunas.
Precisamos que o (a) futuro (a) Governador (a) do Rio Grande do Norte perceba a mobilização da sociedade em favor da leitura. Dos três candidatos posicionados nas primeiras colocações, de acordo com as pesquisas, dois (Senadora Rosalba Ciarlini e Governador Iberê Ferreira) não compareceram ao lançamento do Manifesto e também ainda não procuraram a nossa organização para assinarem o Termo de Adesão, comprometendo-se com o documento.
A Educação do Rio Grande do Norte agradece a sua colaboração.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

CONHECENDO AS CIDADES DO RIO GRANDE DO NORTE EM UM CONTO




Cumpade PEDRO VELHO me diga como você anda? Inda ta trabaiando muito? E como anda cumade NÍSIA FLORESTA? Caba veio tou puraqui meio perdido, é uma histórameia adoidaiada mai se o senhor me ouçar desbatarei sem arrudei. Eu vinhe pra essas bandas buscar um TOURO chamado GUAMARÉ, pra levar lá pru ALTO DO RODRIGUES. Meu patrão seu ANTÔNIO MARTINS comprou o bichinho a seu MESSIASTARGINO, meu patrão é abastado, é um homem bom e influente, foi amigo de infânça de RUY BARBOSA. Ele vive muito bem, agora eu cumpade, é que ando com uma maruzia e uma azalação da mulinga.

Cumpade ultimamente eu ando meio os imboléus, já fiz inté prumessa e já rezei pra SÃO PEDROSÃO FERNANDO e inté para SÃO VICENTE, pru mode eles falar com meu BOM JESUS pra eu ter BOA SAÚDE. Asto dia eu fui ao DOUTOR SEVERIANO e ele me arreceitou um lambedor de JAÇANÃ. Inda disse mai, que era bom pra eu viajar, ir pra outros lugares, ele inté me idicou BARCELONA, MACAU, EQUADOR ou se não quisesse sair do Brasil fosse pra PORTALEGRE ou pru ESPÍRITO SANTO. Sabe o que eu fiz? Eu fui foi pro PARANÁ, mas pense cumpade cumaé pequeno, é um PARAZINHO!!. Mai purlá tem um TABOLEIRO GRANDE com uma AREIA BRANCA, bem pru lado tem uma SERRA NEGRA DO NORTE, na verdade é uma SERRINHA!, Só que lá enriba cumpade tem uma PEDRA GRANDE e é umaPEDRA PRETA e purriba dela tem uma NOVA CRUZ feita de ANGICOS. Mai lá cumpade é tão quente, tão quente que parece o ceará, um CEARÁ-MIRIM, claro.

Cumpade prosiando e atencionando as coisas purcá mai que BAÍA FORMOSA, é muita bunita. Me alembrei de seu LUIZ GOMES, ele inda mora pru trai daquelas MONTANHAS? E seu PEDRO AVELINO, ainda é morador de seu AFONSO BEZERRASão um povo muito prestativo. Cumpade! Tou me alembrando que tenho uma conta a acertar,é umas PENDÊNCIAS com seu SEVERIANO MELOtou só esperano baixar aIPUEIRA pra  ir cobrar meus GALINHOS que ele trouxe lá da SERRINHA DOS PINTOSITAJÁ na hora de a gente acabar com esse quelelé esse EXTREMOZesses CARNAUBAIS de desavenças,acabar de vez com essa picuinha.

Cumpade, cortei esse chãozão de uma ponta a outra, em todo canto ta uma caristia danada, as coisas tá pelo oio da cara. Cumpade vou te dizer uma sabença, do jeito que a coisa tá rumando só vai piorar, prumode de que ultimamente passei uma fome danada. O senhor me imagina que nessa sumana só comie uns peixinhos, Uns ACARI pequeno que parecia um BODÓPATU ver JAPI di inté a SANTO ANTÔNIO e a SÃO MIGUEL uma boa forragem pru bucho, pidi com tanta esperança que chega fechei os oios e imaginei o rango, e falei arto e GROSSOS, SÃO MIGUEL DO GOSTOSO!!!!!Mudando o prosiado o cumpade se alembra da fazenda siridó? Pois bem, tá bunita,lá fizero CURRAIS NOVOS, só de PAU DOS FERROS duro feito ASSÚ e de CARNAÚBA DOS DANTAS, lá daquela LAGOA DANTA. Cumpade foi trabaiada danada os morão foram tudim cortado pur seu FRANCISCO DANTAS e o empregado dele seu JOSÉ DA PENHA.

Cumpade ficou de primera, lá tem o mai bunito JARDIM DO SERIDÓ. O padroeiro da fazenda é um santo de casa, é SÃO JOSÉ DO SERIDÓ, e a padroeira não pudia ser de outro lugar e esculhero SANTANA DO SERIDÓ, mai dizem as más línguas, Cá pra nós,que ela num tá fazendo nenhum milagre não, tão inté quereno jogá lá no mato. Já tem inté gente chamando, ver se pode, de SANTANA DO MATO. Desse jeito tá rim já pensou cumpade, se o padroeiro não fizer milagre, e quiserem jogalo naquele CAMPO REDONDO, imagine só cumpade aquele CAMPO GRANDE, vão bem apilidar de SÃO JOSÉ DE CAMPESTRE. Magina só? Mai cumpade cum toda buniteza o lugar tá sem um pé de vida, logo adispois que seu BENTO FERNANDES bateu as botas, os filhos RAFAEL FERNANDESRODOLFO FERNANDES quisero vender as terras, inda chegaro a vender uma parte para ALMINO AFONSO, que fez um SÍTIO NOVO, que vai do RIACHO DA CRUZ inté o MONTE DAS GAMELEIRAS. Cumpade num vendero todinha pruque seu MARCELINO VIEIRA e seu FERNANDO PEDROSA cuma era os moradores mai an tigo se intrumeteram. Tavam brabos e eles diziam: o resto vocês não vendem, o pai de vocês era um santo já esqueceram? Vocês deveriam era fazer uma igreja para o pai de vocês, pra noise as terras inda são daquele santo. E a SERRA DE SÃO BENTO ninguém toca, e do jeito que eu tou me agarru cum cobra piso inté em cascavel e CERRO CORÁ.Cumpade a confusão foi grande demai, era tanta da fofoqueira na fazenda, pisanopurriba das plantas e se rindo, que parecia um JARDIM DE PIRANHAS. O qui qui foi maior quandoFRUTUOSO GOMES falou que as TIMBAÚBA DOS BATISTAS tava sendo irrigado do OLHO DÁGUA DOS BORGES. Minina cumpade, quando MARTINS oiçou foi logo dizeno: quero ver irrigar lá do meuMONTE ALEGRE, pruque lá é uma LAGOA SALGADA! Nisso cumpade, chega RAFAEL GODEIROtrazendo o CORONEL EZEQUIEL e o TENENTE ANANIAS. Cumpade quando os homi chegaru, inté aCRUZETA, feita de OURO BRANCO, fincada na entrada da fazenda, num pé de BARAÚNA, ficou semENCANTO. O estrelado foi lo go falando: e essas mueres VIÇOSA não têm nada que VENHA VER aqui. Nesse momento cumpade, ele espiou pra eu, que me tremie todinho, logo ele cumpade que me achava caipira e só me chamava de CAIÇARA DO NORTE. Ai Ele preguntou o que é que eu fazia ali. A voz ficou entalada mai eu resmunguei tempodispois: vim rezar pra SÃO BENTO DO NORTE. Ele chega muchou e com um olhar macriado disse: aqui só tem rezatório só se for pra SÃO BENTO DO TRAIRI, vá simbora percurar outro santo. Arribe para o oeste lá tem muitos, talvez você encontre um SÃO FRANCISCO DO OESTE. Não precisou nem terminar a pronunciada, sai em t oda disparada, parecia inté que agora eu nadava e vuava que nem um CAIÇARA DO RIO DOS VENTOS.Cumpade! Cumpade! Fui muito azilado, na carreira bati num palanque que tava o GOVERNADOR DIX-SEPT ROSADO, o SENADOR ELOI DE SOUSA e mesmo na horinha que o SENADOR GEORGINO AVELINO tava se pronunciando. Quando os povos me viro nacarreira em direção ao palanque, pensava que eu ia matar os chefes políticos. Nisso o CORONEL JOÃO PESSOA me viu, no aperreio que eu tava eu nem pensava,daquele jeito eu merguiaria inté no RIO DO FOGO. Cumpade quando eu espio pru lado o MAJOR SALES e o TENENTE LAURENTINO já vinha nos meus carcanhar pega num pega.
Ai foi que eu corri, inda mai com o tiro zunindo no peduvido, pulei por riba de uns PILÕES e sai com a gota serena. Escutei na carreira quando dona LUCRÉCIA disse, é guerra, FELIPE GUERRA! Felipe venha pra casa meu fio, SÃO JOÃO DO SABUGÍ pruteja meu fio. Não parei cumpade de correr, se eles me pegam eles iam JUNDIÁ de eu. Dei um pitú nos homi e sai meio escundido pru trai de uma LAJES PINTADA, peguei um RIACHUELO e sai sem deixar ra sto. Vie de longe uma VÁRZEA e ai eu fui em busca doPORTO DO MANGUE que era menos perigoso. Quando cheguei purlá só tinha PASSAGEM na canoaTIBAU DO SUL. A TIBAU já havia saído, elas chegam em PARELHAS mas uma sai meia hora antes. Ai cumpade eu pensei desse jeito num dá, sou nortista, no sul num vou agüentar.
Então cumpade eu sai por um BREJINHO e vi um filete dágua conhecido, era do RIACHO DE SANTANAuma ÁGUA NOVA e tumei logo umas goipada. Adispois cheguei a uma BAIXA VERDE e vi muita arvures agrandaada fui andando pra lá, cumpade pense num lugar bem sombraiado paricia um JARDIM DE ANGICOS. Pensei ter escapado dos homi mai a armadia foi pior. Sai bem no meio de uma aldea dos índiosJANDUISMOSSORÓ, continuei andano como se num tivesse percebido nada. Foi quando ouvi o pajéMAXARANGUAPE dizer pra dois índios assim: IPANGUAÇUPARNAMIRIM corram atrás e PARAÚ e tragam para mim, eles realmente me pararu, me amarraru e me colocaru em uma LAGOA DE PEDRAS e adispois em um POÇO BRANCO. Cumpade o corpo todo tremia, a voz já não saia, os cabelu nem sentava no casco. Foi quando eu a lembrei de SANTA MARIA e do meu anjo da guarda, SÃO RAFAEL, e cumecei a rezar,nisso o pajé me olhou da cabeça aos pés e disse: UMARIZAL, TAIPÚ vá buscar CANGUARETAMA.

Cumpade pense numa agonia danada enquanto eles saia eu me borrava todo nas calças. Quando vortaru o pajé falou: veja filha se esse serve? Enquanto eu espiava aqueles cabelus e oios  pretu feito a casca de umaCARAÚBAS, ela tapava o nariz e balançava a cabeça em negação. Entonce JUCURUTU me soltou eAPODI disse aqui é PASSA E FICA mai você num vai ficar. O pajé com um oiar dar uma ordem e ARÊS trai um jumento, ITAÚ inda diz: o nome dele é nema. Aí me ajuda a muntar no burro, e espanca o animal que sae em toda carreira, enquanto eles gritam aqui num é lugar pra covardes.

Cumpade o burro curria e eu agradecia pru céu, o meu estoque de santo já tinha acabado, mai inda restava alguns, então comecei a agradicer, a SÃO PAULO DO POTENGISÃO GONÇALO DO AMARANTE eSÃO JOSÉ DO MIPIBÚ. Fiz o sinal da SANTA CRUZ e sai me escurregando nos espinhaço do burro, que começa a desembestar e a pular devido a catinga, e eu gritano aperriado upa, upa, UPANEMA, pare meu bichinho. Nisso só ouvir a burduada cai estatelado no tronco de um pé de MACAÍBA, e ali mesmo adormecie todo duido. Acordei com o canto dum CAICÓ e dum TANGARÁ.despertei adispois de uma madorna boa e sai andano a pé com o bucho roncando que parecia um trovão, a vista já tava escura de sede, num via mai nada. Só sei que cheguei numa LAJES e caminhei até achar uma LAGOA NOVA pra me banhar, e bem na frente encontrei uma LAGOA DE VELHOS.
Pedi cumida e me derum umas GOIANINHAS, preguntei onde estava, e eles disserum na SERRA DO MEL, então sai por entre umas plantaiada que formava uma FLORÂNIA e que parecia uma VILA FLOR. Segui as abeias e achei uma JANDAIRA, e que mé, foi um SÃO TOMÉ. Rumei para o oeste e dicie aSERRA CAIADA na noite de NATAL. Foi lá que vi a beleza e a PUREZA de ALEXANDRIA, chamei um menino pru nome de IELMO MARINHO e pedi um favor. Só pra dar um recado aquela donzela que meu coração amou. Mas o minino olhou e disse: Deus que me livre meu sinhor, aquela muier bunita é fia de seuJOÃO DIAS e ele é o lampiã da regiã.
Te juro cumpade, em nome da VERA CRUZ, aquela muier inté os anjos seduz. Tudo que hoje eu mai quiria era com ela casar, e se isso um dia vier a acontecer,pode ter certeza, pra eu será o trofé do meu TRIUNFO POTIGUAR.

Conto Poético de Lino sapo ( andrelino da silva) em homenagem e respeito a todas as Cidades que pertence ao estado do Rio Grande do Norte.