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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Grandes desafios.

      2013,  um ano que começou com um grande desafio, com muitas dúvidas, medos e  insegurança.         Aos poucos as peças foram se encaixando, os desafios formam se modificando e logo se transformaram em novos, as dúvidas deram lugar a outros questionamentos e a certeza de que muito ainda tenho a aprender.

 
Os medos levaram um enorme susto e saíram correndo. Claro que os desavisados continuaram chegando, mas logo identificaram que não tinham espaço por aqui. E a insegurança? Ah! Essa ficou tão triste ao descobrir que o seguro morreu de velho!

E assim como no começo, o ciclo se renova... Muitos desafios foram vencidos, algumas dúvidas foram esclarecidas, os medos alimentaram a coragem e me fez seguir em frente. Os tombos? Foram muitos, uns insignificantes, outros causaram enormes cicatrizes, mas nenhum foi suficiente para me deixar no chão.
         Pedras no caminho? De todos os tamanhos e formas, mas tinha também coloridas, brilhantes, vivas. Juntei as melhores, as mais belas, as mais fortes e ladrilhei o meu caminho.
         Se pensei em desistir? Sim, por diversas vezes, mas nunca tive convicção. Não tenho esse direito! Desistir significa negar os meus princípios, a minha luta, a minha esperança.
         O que me mantém em pé? A fé em Deus, o apoio incondicional da minha família e dos amigos de verdade e a certeza da vitória justa dos que lutam com honestidade, trabalho, dedicação, e perseverança.

       
Sim!  Eu sou Potiguar, Nordestina, Brasileira, acredito na vitória e não desisto nunca!

                                                   Sírlia Lira




domingo, 12 de fevereiro de 2012

Os "gestores Kodak" e a educação

 Por Thiago Baptistella Cabral

Em janeiro deste ano, a empresa Eastman Kodak Company - aquela mesmo, a "Kodak" das máquinas fotográficas - anunciou o pedido de concordata. Antigamente, fotografia era coisa para poucos. As fotos eram produzidas através de complicados processos com a utilização de chapas de vidro, realizado apenas por especialistas. Foi então em meados de 1880 que o estadunidense George Eastman inventou a fotografia baseada no uso de filmes, e criou a empresa Kodak. Com o genial slogan "você aperta o botão, nós fazemos o resto", a nova tecnologia aos poucos começou a se popularizar, até se tornar a maior empresa de fotografia do mundo. Sabe aquelas fotografias do homem pisando na lua? Pois é, foram tiradas com máquinas da Kodak, do tamanho de caixas de sapato, no ano de 1969. Seis anos depois, Steven Sasson, um engenheiro elétrico da empresa, criou a primeira máquina digital. Na época, a Kodak detinha 90% das vendas de filmes fotográficos e 85% das vendas de câmeras dosEstados Unidos. Para proteger o lucrativo negócio dos filmes, os gestores da empresa resolveram não levar adiante o projeto da máquina digital e, bem, o restante da história todos nós conhecemos. 

Sobre o fracasso da Kodac, muito se especulou sobre a falta de inovação (desafio o leitor a encontrar uma única matéria que diga o contrário!), uma vez que a empresa decidiu apostar exclusivamente nos filmes fotográficos, deixando espaço aberto para outras companhias explorarem o novo mercado criado pelas câmeras digitais. Teria mesmo faltado inovação à Kodak? Voltarei a este ponto, mas antes vamos ver o que a educação tem a ver com tudo isso.

Enfrentamos problemas na qualidade da educação de base, mas na educação superior o problema não é diferente. Graduei-me em Ciências Biológicas por uma universidade pública de São Paulo, um dos melhores cursos do Brasil segundo o "Guia do Estudante" e, mesmo assim, posso dizer que aprendi mais sobre educação, ciências e biologia nestes três últimos anos, depois de graduado, doque nos cinco anos dentro da universidade. Infelizmente, não pareço ser exceção. Em conversas com colegas da minha e de outras universidades, de São Paulo ao Rio Grande do Norte, constatei que isso é muito comum. São muito poucos os professores e as disciplinas que acrescentam algo de fundamental em nossa formação. Acredito que aprenderia mais, e em menos tempo, se estivesse em um grupo de colegas com interesses em comum, acesso à biblioteca e à internet, e ajuda de professores para montar um roteiro de estudos. No mínimo, meu percurso teria sido menos enfadonho. Talvez, em um sistema de aprendizado neste formato eu deixasse de obter um diploma, algo importante para a inserção no mercado de trabalho - embora algumas empresas americanas estejam atualmente realizando contratações baseadas mais em informações disponíveis em mídias virtuais dos candidatos, como blogs ou conta no Twitter, do que no currículo dos mesmos. Esta é uma consequência da falência da díade diploma-conhecimento, ou como disse Augusto de Franco, "O diploma é o reconhecimento do conhecimento ensinado, não necessariamente aprendido".

Voltando à pergunta em aberto do final do segundo parágrafo, acredito que a Kodak não faliu devido à falta de inovação, como muitos sustentam (afinal, a própria empresa foi responsável pela criação da máquina fotográfica digital), e sim devido ao que foi feito da criatividade e inovação que ali surgiram. Paralelos podem ser traçados com a educação. Apesar de contarmos com um sistema educacional obsoleto, existem exceções, que correspondem a equipes pedagógicas dedicadas a defender projetos educacionais inovadores (as nossas "máquinas fotográficas digitais"). Em muitos casos, estas equipes contam com apoio significativo por parte dos pais dos alunos da escola, e enfrentam uma série de dificuldades na tentativa de sobreviver em meio à burocracia dos modelos educacionais existentes. Para focar somente em exemplos potiguares, são referências de projetos educacionais inovadoras o Centro de Educação Integrada de Maracajaú,a Escola Estadual Hegésippo Reis e o projeto "Rede Potiguar de Escolas Leitoras". Este último, talvez um dos mais ousados e importantes projetos educacionais do Rio Grande do Norte desde o "De pés no chão também se aprende a ler", da época em que Djalma Maranhão era o prefeito de Natal e Moacyr de Góes o secretário de educação. Um projeto deste nível, com potencial para ser considerado referência internacional na formação de leitores (apenas "gestores Kodak" não saberiam o que fazer com um projeto desses nas mãos!), enfrenta problemas inadmissíveis, como ausência de professores nas salas de leitura e bibliotecas, realocação de professores readaptados nas salas de leitura e riscos de descontinuidade. Tais dificuldades poderiam ser facilmente evitadas. Como vimos, alguns profissionais da educação criam, inovam, e trilham novos caminhos para a educação. Se fossem estimulados, poderiam ser muitos mais. 


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Investimento em educação ainda é considerado baixo

 Publicação: 06 de Novembro de 2011 -Tribuna do Norte


Professores desvalorizados, escolas sucateadas e baixo investimento em estrutura e em pessoal. Os problemas da educação pública não são poucos, nem novos. Para a professora e associada do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), Sírlia Fernandes de Lira, esses são alguns fatores que precisam ser revistos com urgência pelos gestores públicos. Para a professora, a disparidade entre os valores gastos com alunos e detentos pode explicar, inclusive, porque há tantos presos nas cadeias do Estado.

Emanuel AmaralSírlia Fernandes acredita que se o volume de recursos destinado às escolas fosse maior, o número de detentos poderia diminuir 
Sírlia Fernandes acredita que se o volume de recursos destinado às escolas fosse maior, o número de detentos poderia diminuir
"A falta de educação gera uma série de problemas e, entre eles, a violência. Quando se tem mais educação, onde os jovens têm a oportunidade de frequentar uma boa escola, os índices de criminalidade diminuem. Essa matemática do preso custar mais caro que o aluno está equivocada. Era para ser ao contrário", alega. Ela acredita que se o investimento em educação fosse maior, a tendência era que o número de presos diminuísse.

O vice-presidente da OAB/RN, Aldo Medeiros Filho concorda com a professora. "É preciso maior investimento na base da formação do cidadão, lá na educação básica, para que não se tenha esse contrassenso de investimentos que estamos vendo agora", afirma.

A professora acredita que sem maiores investimentos, bem como a boa gestão dos recursos, o cenário de desigualdade permanecerá por muito tempo. Sírlia, assim como outros professores, defende a aplicação de pelo menos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país na educação.  "Há uma expectativa de que, até 2014, esse investimento seja de 7,5%. Não queremos somente isso. Nossa luta pelos 10% está mais do que concretizada e é fato de faz-se necessária".

Além da aplicação de uma maior quantidade de recursos, a educadora acredita que a sociedade precisa ser mais atuante, cobrando resultados da própria escola. Essa cobrança, segundo Sírlia, não existe, e cita como exemplo as aulas de reposição após a greve deste ano. "Tivemos uma greve de muitos dias. Quando as aulas estavam paralisadas, viam-se pais reclamando, cobrando a presença do professor dentro da sala de aula. Agora, depois que as aulas retornaram, os pais sumiram. Não procuram a escola para saber se têm aulas de reposição nem querem saber como está o rendimento de seus filhos", pondera.