
Aquela senhora que os cabelos brancos deixam revelar os seus 60 e poucos anos corre ao seu ritmo para mostrar a carteira de identidade, depois volta é já com alguma dificuldade, entra pela porta traseira, procurando lugar para sentar. Todos os lugares preferenciais estão ocupados por jovens distraídos com os seus mp3, mp4.
Ao meu lado uma aluna estampava o nome de um dos colégios particulares mais conhecidos da cidade, conversava com a colega que estava em pé, também da mesma escola. Risos, expressões exageradas, mãos que iam e vinham em minha direção. Eu, invisível aos olhos delas pensava: será que educação virou sinônimo de aprovação no vestibular?! É apenas isso e mais nada!
Uma jovem mãe chamou á atenção ao subir com uma criança aparentemente doente ao colo, uma bolsa e um guarda chuva. Sentou-se ali mesmo, estava muito carregada para passar. Só então, ao se aproximar de um hospital, atravessou aquela barreira humana, quase intransponível. As pessoas pareciam sensibilizadas, ofereciam lugar para sentar, seguravam sua bolsa, mas, tudo que ela queria naquele momento, era chegar ao seu destino.
Vitrines mostravam a nova tendência, roupas bonitas, lindos tapete decoravam a loja, o vai e vem das pessoas atravessando a avenida, finalmente havia acabado o meu percurso. Só as imagens simbólicas permaneceram.